Paulo Freire

“Anotações sobre unidade e diversidade” (Paulo Freire in Política e Educação, 1993)

“Pensar a História como possibilidade é reconhecer a educação também como possibilidade. (…) Uma de nossas tarefas, como educadores e educadoras, é descobrir o que historicamente pode ser feito no sentido de contribuir para a transformação do mundo, de que resulte um mundo mais “redondo”, menos arestoso, mais humano, e em que se prepare a materialização da grande Utopia: Unidade na Diversidade.”

(Paulo Freire in Política e Educação, 1993, pp. 35-36)

[Recordando…] A Pedagogia Do Sorrir Ou O Sorrir Da Pedagogia?

Com Paulo Freire, (des)construímos caminhos, em alinhamentos epistemologicamente desafiantes com os pressupostos da autonomia do educador na sua relação dialógica com aquele que se subentende como educando, activo e predisposto a (re)desenhar as suas práticas emancipatórias.

Esta Pedagogia do Sorrir que propomos desenvolver pretende analisar o impacto do Sorriso (do saber sorrir) na prática pedagógica do educador; daquele que se auxilia dos afectos para, cientificamente, concertar dinâmicas, estratégias e lideranças que corroborem a existência de uma escola positiva. Parte-se do pressuposto que a Pedagogia transcende a retórica e a demagogia do saber fazer facilitado, substituindo-o por um saber fazer contextualizado e empático que encontra no “saber sorrir” o motor essencial para a (des)construção de canais saudáveis de comunicação -fase essencial no processo de ensino-aprendizagem assertivo.

O Sorrir da Pedagogia circunscreve-se ao feedback da relação; ao cristalizar visionário do educador e do educando no processo de (des)construção das aprendizagens. Enquanto a Pedagogia do Sorrir se circunscreve ao Processo, o Sorrir da Pedagogia é o resultado; é o sucesso da caminhada.

Aceitar o desafio da Relação talvez seja um dos grandes problemas da Escola de hoje.  Assumir o Outro, pessoa ou organização, como uma realidade sistémica, subjectiva e complexa é um caminho que se (des)constrói, hoje, por curvas e nevoeiros de incertezas, por vezes de devaneios e teorias utópicas quase sempre descontextualizadas. Exige-se um back to basics; um regresso ao espaço onde realmente as aprendizagens se fecundam: a sala de aula.

Nuno Silva Fraga

(Julho de 2010)

 

Ensinar exige…

 

Creio que nunca precisou o professor progressista estar tão advertido quanto hoje em face da esperteza com que a ideologia dominante insinua a neutralidade da educação. Desse ponto de vista, que é reacionário, o espaço pedagógico, neutro por excelência, é aquele em que se treinam os alunos para práticas apolíticas, como se a maneira humana de estar no mundo fosse ou pudesse ser uma maneira neutra.

Minha presença de professor, que não pode passar despercebida dos alunos na classe e na escola, é uma presença em si política. Enquanto presença não posso ser uma omissão mas um sujeito de opções. Devo revelar aos alunos a minha capacidade de analisar, de comparar, de avaliar, de decidir, de optar, de romper. Minha capacidade de fazer justiça, de não falhar à verdade. Ético, por isso mesmo, tem que ser o meu testemunho. (Freire, 2009, p. 98)

 

Referência

Freire, P. (2009). Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. (39.ª ed.). São Paulo: Paz e Terra

 

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