ensino superior

Geoff Scott, Michael Fullan – “Turnaround Leadership For Higher Education”

Sinopse

Shows how campus leaders can proactively meet the challenges and expectations facing their institutions. This work shows how certain leadership capabilities and change-capable cultures in higher education institutions must mirror each other-for the benefit of students and their futures, and for the academy and society.
Fonte: Wook

A geração que está agora com 16-25 anos estará perdida? (Fonte: Jornal Público)

Geração perdida. A expressão, amarga, integral, acaba de ser usada no Reino Unido para encaixar quem tem agora entre 16 e 25 anos. Em Portugal há indicadores.

Com a recessão, por ser tão difícil encontrar emprego e segurá-lo, uma geração inteira está desesperançada. Se o país não responder, toda ela se perderá, avisam os autores desse estudo encomendado pela organização não governamental Prince”s Trust. Em Portugal, não há qualquer estudo equivalente a este financiado pelo príncipe Carlos – que auscultou 2088 britânicos. Mas há indicadores. A Eurostat acaba de actualizar o fulcral: em Novembro, o desemprego nos jovens até aos 25 anos estava nos 18,8 por cento, abaixo da média da União Europeia (21,4 por cento). Nos extremos, a Holanda (7,5) e a Espanha (43,8).

O fenómeno é bem conhecido, julga Virgínia Ferreira, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (UC): “Ao lado, em Espanha, chamam-lhes os mileuristas. Aqui, ficamos pela metade, pelos 500 euros.” Falar em geração perdida, contudo, parece-lhe um exagero: “Isso é um rótulo, uma máxima usada para simplificar uma ideia complexa”.

Há cada vez menos jovens. Em 1999, segundo o Instituto Nacional de Estatística, eram 3,1 milhões – 48 por cento tinham entre 15 e 24 anos (1,5 milhões). Em 2008, eram menos 327 mil. E o grosso da contracção (295 mil) verificou-se naquela faixa etária. É a geração mais escolarizada de sempre. No ano lectivo 2007-2008, estavam inscritos no ensino superior 377 mil alunos – mais 20 por cento do que em 1995-1996. No final, as universidades mandaram para o mercado mais de 83 mil diplomados – mais 16 por cento do que no ano anterior. Apesar disto, “as gerações anteriores entraram mais facilmente no mercado de trabalho”, avalia Carlos Gonçalves, que tem estudado a empregabilidade dos universitários. Agora demora mais. E quem fura, amiúde, fá-lo através de contratos a termo certo ou de recibos verdes. O exemplo típico é o do licenciado no call center.

Havia, aponta Elísio Estanque, da Faculdade de Economia da UC, “uma empregabilidade relacionada com a aprendizagem”. Os alunos tentavam se-guir o gosto, a vocação. O ensino “democratizou-se, mercantilizou-se”. A garantia esfumou-se. A crise agudizou o fosso. Agora, “a grande preocupação é se o curso tem ou não saída. Per-versamente, têm mais dificuldades em obter melhores resultados”.

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Um sabor de fundo de ensino à bolonhesa.

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A reforma europeia dos cursos universitários agita regularmente as cidades universitárias. Há algumas semanas que os estudantes alemães vêm pondo em causa currículos demasiado densos e condições inaceitáveis. E o debate sobre a pertinência do “processo de Bolonha” enche os jornais do país.

Depois da Áustria, a Alemanha. Dez anos após o seu lançamento, o processo de Bolonha – o ideal de um espaço universitário europeu – é contestado desde o início das aulas. Pela primeira vez desde a época revolucionária dos anos 60 e 70, estudantes, dirigentes estudantis e professores fazem uma frente comum, assinala o Süddeutsche Zeitung.

Os estudantes,  explica o diário de Munique, são submetidos a “estudos ultra-regulamentados“, em que se torna impossível preencher as lacunas culturais criadas no liceu. Os professores sujeitam-se a uma “servidão à eficácia” que os põe ao serviço de classificações internacionais para as quais têm de fazer investigação, publicar tanto quanto possível e “desperdiçar imensas capacidades em termos de ensino e pesquisa”em prol da obtenção de financiamentos.

Para o Süddeutsche Zeitung, o movimento é inteiramente justificado, ainda que “os estudantes misturem política de educação e política social. […] Os protestos contra o pagamento de propinas – aliás muito moderadas, na Alemanha, em relação a outros países – são um erro.”

“Os estudantes não têm unicamente objectivos racionais (“Pais ricos para todos”)”, acrescenta o Tageszeitung de Berlim.“Revoltam-se contra reformas há muito ultrapassadas: reformas que radicam em concepções de educação que datam do século XIX. A licenciatura remete para a ideia de que todos os que vão para a faculdade querem ou têm de tornar-se professores. É, pois, justo dividir os estudos em etapas, para os tornar ‘estudáveis’.”

Fazer um curso requer esforços

O diário alternativo reconhece, contudo, que “os estudantes agem com um conceito elevado de ensino”, segundo o qual“a educação deve ser desinteressada e servir unicamente para o desenvolvimento da personalidade. É uma particularidade alemã, refugiar-se em concepções românticas – e não aceitar um ideal de educação pouco democrático.”

Ora o número de estudantes atingiu valores recordes. Este ano, constata o Süddeutsche Zeitung, inscreveram-se no primeiro semestre 423.000 estudantes: “o maior valor de sempre”. Representa 43,3% dos jovens alemães.

Do ponto de vista económico, esta evolução torna o processo de Bolonha indispensável, insiste o Handelsblatt..“Ninguém se atreve a dizer aos estudantes que estudar foi sempre cansativo. Como era dantes? As massas estudantis perdiam tempo porque eram abandonadas à sua sorte”. O diário económico admite que a organização dos cursos é demasiado estrita, mas que o encurtamento do tempo de estudo e a flexibilidade introduzidos por Bolonha são ideias com futuro.

Era necessário, observa Jürgen Kaube [director editorial e especialista em Educação] no Frankfurter Allgemeine Zeitung, que os governantes percebessem do assunto. A ministra alemã da Educação, Anette Schavan, “conhece as universidades? Sabe que os professores que foram atraídos para a investigação por ‘programas de excelência’ saem do ensino com as mesmas habilitações? Terá ouvido falar do facto de que ‘Bolonha’ desmoraliza o comportamento dos estudantes, porque, um pouco por toda a parte, apela a atitudes meramente tácticas para obter as notas que são necessárias? Que o prazer de estudar diminui, porque não se vê senão um percurso de obstáculos?”“sabe que, em Oxford ou Zurique, se partem a rir quando alguém quer fazer valer o seu direito a entrar para estudos superiores com uma licenciatura alemã?”

Então Bolonha é uma reforma neoliberal? Pelo contrário, assegura o sociólogo Armin Nassehi, no FAZ: “Sente-se-lhe o cheiro a enxofre dos planos quinquenais socialistas. Como na economia planificada do Bloco de Leste, onde se calculava a colheita de cenouras dos próximos 5 anos até à última, o novo ideal de cursos universitários parece ser um percurso completamente controlado”. Nassehi considera que os estudantes teriam todo o interesse em reivindicar uma reforma verdadeiramente liberal, que lhes permitiria desenvolver trajectos individualizados de estudo. Porque na Europa, conclui, nem tudo deve ser normalizado.

Fonte: presseurope