Henry Giroux

Cidades Educadoras. Espaços de (Contra)Tempos.

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Pensar a Cidade como espaço que é simultaneamente objecto e sujeito de educação é saber (des)construir, paulatinamente, a liderança e a gestão da coisa pública por estratégias que viabilizam a participação dos cidadãos e das cidadãs. Quanto maior é a acção das Pessoas, se é que lhes é permitido agir (!), nos (Contra)Tempos de uma Visão e Missão comuns, mais inclusiva torna-se a Cidade. Mais predisposta a aprender. E a ensinar.

A cidade diz-se educadora porque ao contemplar uma visão sistémica do seu espaço (que é local como global) enquadra na sua acção e no seu projecto educativo uma intencionalidade e uma funcionalidade práticas necessárias à execução, planificação e desenvolvimento de projectos participados e à consequente inclusão, envolvimento e implicação dos cidadãos e cidadãs em todo o processo.

A cidade que é entendida nesta lógica como um espaço que educa e que pedagogiza, apresenta-se como sistema essencial à renovação crítica do conceito de cidadania, na medida em que esta “se vai privatizando e os jovens são cada vez mais formados para se tornarem sujeitos consumidores e não sujeitos sociais críticos.” (Giroux, 2005, p. 138) Cabe, portanto, não só aos educadores como também aos agentes que fomentam as dinâmicas sociais e culturais da cidade a habilidade para desenvolverem “uma linguagem crítica na qual as noções de bem público, as questões públicas e a vida pública se tornem centrais e prevaleçam sobre a linguagem de mercado despolitizante e privatizante” (Giroux, 2005, p. 138) que hoje apresenta-se-nos como uma visão irrefutável do mundo.

A cidade, que ao acolher os seus cidadãos e ao interpretá-los nas diferentes idiossincrasias que os alicerçam, age como um espaço que aprende a ser interculturalmente competente. Há, por aqui, um trabalho de Sísifo que merece ser percorrido. Há, por aqui, (contra)tempos que merecem ser problematizados, transformados. Há, por aqui, um trabalho colaborativo que, com urgência, a Democracia exorta! Estaremos disponíveis a desvelar este outro olhar sobre a Cidade?

Memories of Hope in the Age of Disposability. (Henry Giroux, 2010)

Any rigorous conception of youth must take into account the inescapable intersection of the personal, social, political and pedagogical embodied by young people. Beneath the abstract codifying of youth around the discourses of law, medicine, psychology, employment, education and marketing statistics, there is the lived experience of being young. For me, youth invokes a repository of memories fueled by my own journey through an adult world, which largely seemed to be in the way, a world held together by a web of disciplinary practices and restrictions that appeared at the time more oppressive than liberating. Lacking the security of a middle-class childhood, my friends and I seemed suspended in a society that neither accorded us a voice nor guaranteed economic independence. Identity didn’t come easy in my neighborhood. It was painfully clear to all of us that our identities were constructed out of daily battles waged around masculinity, the ability to mediate a terrain fraught with violence and the need to find an anchor through which to negotiate a culture in which life was fast and short-lived. I grew up amid the motion and force of mostly working-class male bodies – bodies asserting their physical strength as one of the few resources over which we had control.

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Truthout