Juventude

Uma geração (des)interessada pela política nacional (Teresa Camarão, Jornal Público)

A geração que nasceu nos anos 1980 e 1990 não deixa de ser a mais qualificada de sempre, mas parece não se sentir representada no sistema político actual. Os politólogos alertam para problemas de representação e identificação e falam na urgência de uma reforma do sistema. O PÚBLICO procurou respostas na voz de oito jovens.

Que geração é esta que mais tarde ou mais cedo vai tomar o país nas mãos? “A geração mais formada e informada de sempre” está alienada da política? Participa? O PÚBLICO falou com oito jovens. As respostas acabaram num empate técnico: quatro dizem que os jovens não estão afastados da política nacional, os outros não pensam o mesmo.

João, Simão, Sara, Inês, e Miguel nasceram na década de 1980. Sílvia, Duarte e Francisca no início dos anos 1990. Personificam a geração em que a emancipação tarda e que surge em destaque nos discursos de todos os intervenientes políticos, incluindo aqui a tradicional mensagem de Ano Novo do Presidente da República, que lembra que 2014 vai “condicionar o futuro do país e das gerações mais jovens durante muitos anos”

Manuel Braga da Cruz, o professor doutor em Sociologia Política que entre 2000 e 2012 foi reitor da Universidade Católica de Lisboa, deixa escapar um sorriso quando afirma que o conceito de juventude tem uma história recente, “é produto das sociedades modernas, nas sociedades arcaicas esses problemas não existiam”.

Artigo completo em: http://www.publico.pt/politica/noticia/uma-geracao-desinteressada-pela-politica-nacional-1618414 

De que Valem a Experiência e o Conhecimento na Velhice? (Jean-Jacques Rousseau)

«Envelheço aprendendo sempre» – Sólon, na sua velhice, repetia muitas vezes este verso. O sentido que esse verso possui permitir-me-ia dizê-lo também na minha; mas é bem triste o conhecimento que, desde há vinte anos, a experiência me fez adquirir: a ignorância ainda é preferível. A adversidade é, sem dúvida, um grande mestre, mas faz pagar caro as suas lições e muitas vezes o proveito que delas se tira não vale o preço que custaram. Aliás, a oportunidade de nos servirmos desse saber tardio passa antes de o termos adquirido.

A juventude é o tempo próprio para se aprender a sabedoria; a velhice é o tempo próprio para a praticar. A experiência instrui sempre, confesso, mas não é útil senão durante o espaço de tempo que temos à nossa frente. É no momento em que se vai morrer que se deve aprender como se deveria ter vivido?

De que me servem os conhecimentos que tão tarde e tão dolorosamente adquiri sobre o meu destino e sobre as paixões alheias de que ele é o fruto? Não aprendi a conhecer os homens senão para melhor sentir a desgraça em que me mergulharam e esse conhecimento, embora me revelasse todas as suas armadilhas, não me permitiu evitar nenhuma delas. Porque não permaneci nesse estado de confiança, insensata mas ditosa que durante tantos anos fez de mim a presa e o joguete dos meus ruidosos amigos, sem que tivesse a mínima suspeita de todas as tramas em que estava envolvido? Troçavam de mim e eu era vítima deles, é verdade, mas acreditava que me amavam, e o meu coração deliciava-se com a amizade que eles me tinham inspirado e pensava que sentiam por mim uma amizade igual. Essas doces ilusões estão destruídas. A triste verdade, que o tempo e a razão me revelaram, ao fazer-me sentir a minha infelicidade, permitiu-me ver que não havia remédio e que não me restava senão resignar-me. Por isso, para mim, na minha situação actual, todas as experiências da minha idade não têm utilidade presente nem proveito futuro.

Ao nascermos, iniciamos uma luta que só termina com a morte. De que serve aprender a conduzir melhor o seu carro quando se está no fim da estrada? Então, já não resta senão pensar em como sair dele. O estudo de um velho, se é que ainda tem algo a estudar, consiste unicamente em aprender a morrer, e é precisamente o que menos se faz na minha idade, em que se pensa em tudo menos nisso. Os velhos estão mais agarrados à vida do que as crianças e saem dela com mais má vontade do que os jovens. É que, como todos os seus trabalhos se destinaram a essa mesma vida, ao chegarem ao fim, vêem que os seus esforços foram inúteis. Todos os seus cuidados, todos os seus bens, todos os frutos das suas laboriosas vigílias, tudo abandonam quando partem. Em vida, não pensaram em adquirir algo que pudessem levar consigo quando morressem.

Jean-Jacques Rousseau, in “Os Devaneios do Caminhante Solitário”

Fonte: Citador