PISA

PISA: Movimentos e mudanças. Uma introdução a “PISA e as políticas públicas de educação”

Este dossier inclui contribuições do projecto de investigação – “O papel do conhecimento na construção e na regulação das políticas da saúde e da educação na Europa” (KNOWandPOL) – desenvolvido com o objectivo de alargar o conhecimento existente sobre a relação conhecimento-política, num contexto social e cultural caracterizado por um aumento do volume, da pluralidade e da circulação dos conhecimentos na acção pública (AA.VV, 2006; Delvaux & Mangez, 2008)(1). Um dos eixos analíticos do projecto trata das questões da produção, difusão e apropriação dos instrumentos de regulação baseados no conhecimento (KRT – Knowledge-based Regulation Tools), isto é, dos instrumentos técnico-sociais que difundem um tipo particular de conhecimento com vista à modelação do comportamento dos actores num dado sector das políticas (Freeman et al., 2007). De entre as diferentes versões de KRTs – dos dispositivos de auditoria aos de auto-avaliação, dos projectos de boas práticas aos de acreditação, dos programas de formação aos referenciais, aos rankings e comparações estatísticas – as equipas de investigação (do sector da educação) decidiram focalizar os seus estudos de caso na fabricação, circulação e uso do Progamme for International Student Assessment (PISA) da OCDE(2).

O PISA é um projecto internacional de avaliação comparada levado a cabo sob os auspícios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Foi oficialmente lançado nos anos de 1990 como resposta da agência à necessidade sentida pelos países membros de poderem regularmente disponibilizar dados fidedignos sobre os conhecimentos e competências dos alunos e sobre o desempenho dos seus sistemas educativos. O principal propósito do Programa é proporcionar “um ponto de referência estável que permita a monitorização da evolução dos sistemas educativos” (OECD, 2007, p. 17). Estrutura-se à volta de uma avaliação trienal e cada ciclo compreende um inquérito que inclui um módulo nuclear (obrigatório para todos os países participantes) que incide numa área da literacia (p. ex. literacia da leitura, da matemática, das ciências). Pretende responder à “necessidade que os países têm de retirarem ensinamentos para as políticas” (OECD, 2007, p. 1) e inclui práticas que geram conhecimentos específicos: “(…) representa um esforço colaborativo que junta os saberes científicos dos países participantes, com uma direcção conjunta dos governos, em função de interesses comuns nas políticas públicas” (OECD, 2007, p. 10). Em suma, o Programa tem uma orientação política aberta e desenvolve-se numa relação explícita de “política – conhecimento (especializado)”.

Para lá destes atributos, há outras razões que justificam esta “selecção de caso”: os aspectos que distinguem o PISA de outros programas, tais como a sua regularidade e flexibilidade na aplicação e a singularidade do próprio objecto – as competências de literacia (ver Bottani, 2006); o contínuo aumento do número dos países participantes (32 no PISA 2000, 41 no PISA 2003, 57 no PISA 2006 e um total de 67 países que se espera que participem no quarto ciclo, 37 dos quais não são países da OCDE); o interesse crescente e diversificado da investigação no Programa, passando pela aceitação até à crítica(3). Todavia, o que levou à sua escolha foi principalmente a percepção das equipas sobre a presença conspícua do PISA na acção pública – embora não idêntica nas suas manifestações. Assim, o interesse do nosso trabalho reside na ideia de acompanhar (e de entender) os movimentos e mudanças do PISA: é fabricado a nível supranacional juntando indivíduos e organizações de diferentes espaços sociais; muitas vezes toca a acção pública nacional; suscita o interesse de diferentes grupos sociais; contudo, é de forma diferente que com ele se relacionam e o usam – modificando-o até.

Artigo Completo: download

LUÍS MIGUEL CARVALHO

Fonte: Revista Sísifo

Learning Mathematics for Life: A Perspective from PISA

People from many countries have expressed interest in the tests students take for the Programme for International Student Assessment (PISA).

Learning Mathematics for Life examines the link between the PISA test requirements and student performance. It focuses specifically on the proportions of students who answer questions correctly across a range of difficulty. The questions are classified by content, competencies, context and format, and the connections between these and student performance are then analysed.

This analysis has been carried out in an effort to link PISA results to curricular programmes and structures in participating countries and economies. Results from the student assessment reflect differences in country performance in terms of the test questions. These findings are important for curriculum planners, policy makers and in particular teachers – especially mathematics teachers of intermediate and lower secondary school classes.

Reference: OCDE

« Older Entries