professores

Mensagem a Alunos e Professores. (Albert Einstein)

A arte mais importante do professor é a de despertar a alegria pelo trabalho e pelo conhecimento. «Queridos estudantes! Regozijo-me por vos ver hoje diante de mim, alegre juventude de um país abençoado. Lembrai-vos de que as coisas maravilhosas que ireis aprender nas vossas escolas são a obra de muitas gerações, levada a cabo por todos os países do mundo, à custa de muito entusiasmo, muito esforço e muita dor.

Tudo é depositado nas vossas mãos, como uma herança, para que a aceitem, honrem, desenvolvam e a transmitam fielmente um dia aos vossos filhos.

Assim nós, embora mortais, somos imortais nas obras duradouras que criamos em comum. Se tiverem esta ideia sempre em mente, encontrarão algum sentido na vida e no trabalho e poderão formar uma opinião justa em relação aos outros povos e aos outros tempos.»

Albert Einstein, in “Como Vejo o Mundo”

Fonte: Citador

El sentido del deber. (Miguel Santos Guerra)

Se ha insistido tanto últimamente en la exigencia de los derechos propios que algunos se han olvidado de hacer el mismo hincapié en el cumplimiento de los deberes. Es bueno y necesario conocer los derechos y exigir su ejercicio por todos los medios. Es una parte del desarrollo ciudadano. Pero no es menos cierto que debemos ser conscientes de las obligaciones. Y asumir que esas obligaciones nos interpelan desde nuestra condición de personas. Hay quien aplica la ley del embudo a esta correlación de derechos y deberes. “Yo tengo derechos respecto a los demás, y los demás tienen deberes respecto a mí”, sería el lema de estos personajes. “El deber es lo que esperas de los demás”, decía Albert Camus.

Debemos tener en cuenta este equilibrio en la formación de nuestros hijos y en la de nuestros alumnos. Es necesario trabajar en el desarrollo de los deberes, y en el cumplimiento de las obligaciones. No porque podamos incurrir en sanciones cuando no las cumplimos o recibir recompensas cuando lo hacemos sino por la conciencia del deber. “El sendero del deber, decía Niceto Alcalá Zamora, se encuentra enfrente del sendero del egoísmo”.

Me preocupa en ese sentido la formación de los profesionales. Voy a referirme al colectivo sanitario, pero podría decir lo mismo de otros colectivos, por ejemplo, el de docentes.

Una cirujana plástica, excelente profesional por lo que pude saber, me habla en un curso impartido a tutores y tutoras, de su inquietud al respecto y me brinda una anécdota que le ha parecido muy significativa y que más adelante contaré. More

O futuro do sistema educativo português na ressaca do conflito com os professores. (Fonte: Público)

A tranquilidade vai voltar às escolas? As perdas de qualidade do ensino, por via do prolongado conflito agora encerrado, são irreparáveis? Ou, pelo contrário, existem agora mais e melhores condições para inverter o caminho? Seis respostas sobre o que espera a educação em Portugal.

O que vão fazer os novos directores de escola?

A paz alcançada é um importante passo, sem dúvida. Era irrecusável. Não sei se terá sido tão importante a guerra que a justificou. Sobretudo quando lemos o longo e penoso caminho percorrido à luz dos seus resultados. Para já, Governo e sindicatos de professores alimentaram uma guerra que introduziu muita intranquilidade nas escolas, com claras perdas para a qualidade do ensino e das aprendizagens e com evidentes e enormes prejuízos para a imagem social da escola “pública” e da profissão docente.

Para o futuro, podemos e devemos perguntar: o que vão fazer os novos directores das escolas (no meio desta guerra as escolas passaram a contar com directores, escolhidos por um conselho de escola) com este instrumento de gestão? Sim, estamos diante de um mero instrumento de gestão cuja importância ou insignificância vai depender das políticas de direcção e gestão das escolas. Vai servir o quê, quem, para quê? Os directores e as escolas ganharam mais um instrumento de gestão escolar, para que melhorias na qualidade da educação? Não sabemos. E é aí que a nossa atenção deverá estar focada. As escolas e os seus directores continuam prisioneiros da administração central e desconcentrada.

Joaquim Azevedo (Professor da Universidade Católica e membro do Conselho Nacional de Educação)

Maior eficácia na organização das escolas

Existem agora condições para termos mais esperança no futuro da nossa educação. Temos hoje bons professores, um parque escolar em muitos casos invejável, óptimos equipamentos, uma escola na qual uma parte dos seus alunos obtém excelentes resultados escolares. No entanto, as nossas instituições ainda não funcionam de modo a que todos os alunos aprendam. O futuro exige uma maior eficácia na organização das escolas, no trabalho dos alunos e nas aprendizagens.

Se olharmos para o que se passa no mundo em matéria de resultados das aprendizagens e de educação para todos, vemos que há países que realizaram progressos notáveis. Acredito que também somos capazes de o fazer.

Porque a acção dos professores é decisiva, este acordo pode libertar energias para que os esforços de todos se concentrem na construção de uma melhor educação.

É importante que o debate educativo traga agora um contributo das soluções encontradas nas nossas escolas e no mundo para melhorar as aprendizagens.

Ana Maria Bettencourt (Presidente do Conselho Nacional de Educação)

Um acordo aceitável, a necessitar de acertos

Após um “ciclo avaliativo” muito controverso, recheado de atropelos, injustiças, oportunismos e conflitos insanáveis, a “abertura” demonstrada pela nova equipa ministerial no início das negociações fez alimentar expectativas que, verifico agora, se transformaram em frustrações, nomeadamente no que se refere ao modelo de avaliação.

Relativamente ao Estatuto da Carreira Docente, o acordo de princípios agora assinado teve o mérito de responder à luta dos professores ao terminar com a perversa divisão da carreira entre titulares e professores. É um acordo aceitável, a necessitar de acertos, penso que ainda possíveis em sede de negociação.

Relativamente à avaliação, mantém-se basicamente o mesmo modelo, substituindo professores titulares por relatores, que seguramente vão criar os mesmos constrangimentos e perturbação na relação entre os pares. A duração do ciclo avaliativo é igualmente um factor de perturbação para as escolas. Os vectores fundamentais pelos quais lutei nos anos transactos não se alteraram, o que me leva a pensar que nem sempre o consenso traduz bom senso!

Maria do Rosário Gama (Directora da Escola Secundária Infanta D. Maria)

Há condições para tornar as escolhas mais eficazes

Penso que este acordo é um passo muito importante para restabelecer a serenidade e a tranquilidade nas escolas e no seio dos professores. Parece-me, no entanto, que, mais do que aquilo que possa representar para os professores e para as suas carreiras, é um sinal no sentido de que há condições para fazer funcionar as escolas de uma forma mais eficaz, isto é, tendo em conta os reais objectivos da escola, que são ensinar melhor, fazer com que os alunos aprendam mais e tenham maior capacidade para enfrentar a vida que os espera. Os pais querem para os seus filhos uma escola mais exigente, porque sabem que nos dias de hoje não basta passar de ano e ter boas notas. É preciso saber, é preciso saber muito, é preciso saber pensar, é necessário ser responsável, ter iniciativa e, sobretudo, capacidade para lidar com a mudança.

Espero que a partir deste início de ano ministério e sindicatos aprendam com os erros cometidos no passado, porque a situação de bloqueio a que se chegou se deveu a ambas as partes. Esperamos agora por políticas públicas que aumentem a autonomia das escolas, porque muitos dos problemas com que a educação se debate se podem resolver dentro da própria escola, sem ter que recorrer à administração central.

O país deve muito a muito dos seus professores e só com professores motivados, competentes e que sejam capazes de assumir um papel de referência perante os seus alunos se encontrarão os caminhos para uma escola que responda às necessidades do país.

Eduardo Marçal Grilo (Administrador da Fundação Gulbenkian e ex-ministro da Educação)

Fonte: Público


Questões de Pedagogia ? II (Albano Estrela)

A questão central que aqui se coloca é a da autoridade. Autoridade que se exerce cultivando a distanciação entre professores e alunos.

A Autoridade na Pedagogia Tradicional

O relacionamento entre o professor e os seus alunos é uma das questões mais importantes na História da Educação da Idade Moderna. Constitui, em última instância, a chave para compreendermos a evolução da estrutura e da dinâmica da pedagogia, ao longo dos últimos séculos.

A pedagogia tradicional, em que muitos de nós fomos educados e da qual, de um modo ou de outro, todos somos herdeiros, tem a sua raiz matricial na pedagogia dos Jesuítas. A organização dos seus colégios e o seu modo de funcionamento exerceram uma influência decisiva na pedagogia dos séculos seguintes. Melhor do que qualquer descrição será transcrevermos um texto de um jesuíta do século XVI, o Padre Gaudier, publicado na obra De Natura et Statibus Perfectionis:

“…Que os adolescentes tenham dos seus mestres a mais elevada opinião e que os admirem pelo seu grande valor, pois esta estima pressiona-os interiormente, sobretudo se se lhe juntar o amor para o cumprimento integral da vontade daqueles que os dirigem…

…Mas só receberemos essa estima se formos prudentes e discretos. Nomeadamente as nossas relações com os nossos alunos deverão ser tais que não se conheça nelas qualquer familiaridade. Pois é certo que a familiaridade engendra facilmente o desprezo.

…Não tenhamos relações muito frequentes com os adolescentes, não sejamos demasiado efusivos, não tenhamos intimidade em excesso, não lhes confiemos qualquer segredo ou projecto…”

A questão central que aqui se coloca é a da autoridade. Autoridade que se exerce cultivando a distanciação entre professores e alunos. Autoridade idêntica à que o pai tem com o seu filho, o patrão com o seu empregado. Em última instância, autoridade idêntica à das classes sociais “superiores” (nobreza, alta burguesia) em relação às que lhes eram “inferiores” (pequena burguesia, povo). Uma dinâmica social incrustada na estratificação das classes e dos indivíduos. Ou, se quisermos, uma formalização das relações, construída aprioristicamente, em tudo independente do valor do indivíduo. Indivíduo cujo status social não lhe era concedido pelas suas qualidades ou pelo seu desempenho funcional na comunidade, mas, sim, por circunstâncias extrínsecas ao seu ser e estar.

Se o estudo do papel da autoridade na dinâmica social nos fornece indicadores preciosos para o conhecimento de uma época, também o conhecimento do exercício da autoridade de uma organização escolar é a chave que nos abre a porta desse mundo que se oculta nas que quatro paredes de uma escola. O texto do Padre Gaudier atrás transcrito, é, pois, a pedra angular que suporta o edifício da pedagogia jesuítica. E, como a pedagogia tradicional mergulha a sua raiz matricial na pedagogia dos Jesuítas, o mesmo será de dizer de toda a pedagogia dos países da Europa Ocidental, nos séculos XVIII, XIX e primeira metade do século XX. Autoridade que, em última instância, assume a forma de autoritarismo.

Era, pois, da autoridade que decorriam as outras características da pedagogia: a organização do ensino; os métodos de ensino; a memorização; a competição. Delas falarei em próxima crónica.

Albano Estrela

Fonte: Educare

A antiguidade é um posto. (José Pacheco)

Fonte: Educare

Eu vi a antiguidade aliar-se à mediocridade para destruir projectos. Conheci escolas em que coabitavam professores escravos e professores nababos, escolas em que estagiários eram proibidos de tomar café no bar dos professores.

Recebi mais um e-mail amargo, que rezava assim: Quando se faz a escolha de turmas, o critério idolatrado é a antiguidade na escola. Professoras antigas na escola (aquelas que não gostam dos alunos “diferentes – os anormais, lentinhos… sabes bem que termos usam) iriam pedir para trabalhar nas turmas do nosso projeto, pois isso lhes parecia confortável, “mesmo com esse tipo de alunos”! Quando ousámos peitar, fomos convidadas para que nos retirássemos ou nos calássemos. A antiguidade ainda é um posto. Como no exército! E o projeto acabou. Confesso que não soubemos lidar com tudo isso, não fomos maiores que a hipocrisia…

Relato idêntico a muitos outros. Notícias de projectos extintos… por obra de maus profissionais. Eles existem!

Concordo com a minha amiga Cláudia. Ela segue o preceito freireano e denuncia “os pseudoprofissionais que, protegidos pelo argumento da antiguidade, desbancam bons e bem-intencionados profissionais”. Ouçámo-la: Os bons profissionais têm a oportunidade de edificação de projetos realizadores, enquanto os maus provam o alívio de ter garantida a aposentadoria, de preferência com vida longa numa escola localizada a poucos metros de casa. Esses jamais escolhem uma escola pelo sentido coletivo, pelo seu projeto. Por mais nocivos que sejam, acostumaram-se à impunidade que impera no serviço público e agem sob as vistas de um Estado igualmente ineficiente no atendimento aos direitos sociais da população.

Ao longo de quase quatro décadas, vi-os fugir do trabalho com alunos, para ocupar um cargo “superior” nas delegações e direcções regionais. Muitos se filiaram em partidos políticos, ascenderam na hierarquia dos gabinetes e dos partidos. Para quase todos chegou a vez de ocupar um cargo político de confiança, em comissões e subcomissões, nos gabinetes de um ministério. Aí se instalaram definitivamente, a ditar leis que os professores que ficaram nas salas de aula deveriam cumprir. Ingenuamente, ou não, convenciam-se de que administrar escolas é fazer contas de mercearia em papel de ofício. Até ouvi alguns desses pedagogos de gabinete a afirmar ser necessária mais uma hora lectiva por semana, para melhorar o desempenho em matemática (sic), a par de outros disparates.

Eu vi a antiguidade aliar-se à mediocridade para destruir projectos. Conheci escolas em que coabitavam professores escravos e professores nababos, escolas em que estagiários eram proibidos de tomar café no bar dos professores. Havia professores de “horário zero” e aqueles que só iam à escola três dias em cada semana, beneficiando de reduções de componente lectiva por “serem velhos na profissão”, mas que, para além do salário, recebiam “horas extraordinárias”…

Ao longo de muitos anos, em nome do “direito ao emprego”, os professores da Escola da Ponte foram obrigados a suportar quem a tentou destruir por dentro. Houve quem alegasse “antiguidade” para obter privilégios, colocando obstáculos ao desenvolvimento do projecto. Quem me conhece sabe que não morro de amores pelo neoliberalismo, mas teria de chegar a hora de defrontar vícios e desenvolver uma cultura de responsabilidade. Conquistámos o direito de escolher os professores e logo desabou sobre a escola a ira dos acomodados.

As escolas que quiserem manter-se imersas na mesmice, que se mantenham, porque a autonomia de faz-de-conta oferecida pelo ministério também pode servir para reforçar a tradicional heteronomia. Mas que sejam dadas condições do exercício de uma verdadeira autonomia às escolas que a reivindiquem. É preciso que a escola pública atinja a maioridade, para que a antiguidade deixe de ser um posto.

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